As incertezas do Brexit, a par da crise na Venezuela, dispararam os pedidos de passaportes: 47 mil nos último quatro anos.

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Desde 2015, os pedidos de passaportes portugueses que deram entrada no balcão da Loja do Cidadão no Funchal, dispararam significativamente, seja para renovação ou emissão, em parte devido à crise na Venezuela que já fez regressar quase seis mil emigrantes, mas também por causa do Brexit que tem gerado dívidas e incertezas sobre o que virá depois de Março, mês apontado para a saída do Reino Unido da União Europeia.
Cláudia de Sousa é um dos perto de 13 mil cidadãos portugueses que renovou o passaporte no último ano. Tinha o título praticamente em fim de validade, e sem saber o que virá depois de Março, a madeirense, residente na cidade de Oxford, optou por viajar para a Madeira a fim de tratar da renovação do documento que lhe permitirá entrar e sair de Inglaterra. A semana de «férias forçadas», para tratar do passaporte, foi vista como um «investimento», pelo facto de «não ser possível contar com a ajuda do Consulado Português, em Londres», razão que tem obrigado muitos madeirenses a regressar a casa, por um curto período de tempo, para tratar do mesmo documento.


Segundo a Direção Regional da Administração Pública e da Modernização Administrativa – DRAPMA, o Passaporte Eletrónico Português é concedido na Região, no Balcão dos Passaportes, na Loja do Cidadão do Funchal, num prazo de dois a cinco dias úteis, conforme a celeridade pretendida (normal, urgente ou expresso).


Os dados facultados ao DIÁRIO pela DRAPMA mostram que, nos último quatro anos foram concedidos 47 mil e seis passaportes portugueses.
Apesar de não possuir dados concretos sobre a proveniência dos cidadãos emigrantes que fazem este pedido, na Loja do Cidadão da Madeira, os números apontam para um aumento significativo na ordem dos 2498, entre 2015 e 2018.
Ainda segundo a mesma entidade, «tem havido um forte crescimento de passaportes concedidos pela Região, justificado pelos emigrantes da Venezuela e pelo Brexit, este último, devido às dificuldades sentidas pelos emigrantes, no agendamento de actos consulares na cidade londrina.
Este fator acaba por justificar a corrida aos passaportes que se tem verificado nos últimos tempos, com vários madeirenses a optar por vir à Madeira tratar da renovação ou emissão, uma vez que o Consulado Português, em Londres, demora cerca de quatrp meses a marcar um atendimento.

Aumenta clima de incerteza
O clima de incerteza no Reino Unido (RU), tem aumentado nos últimos tempos, juntos dos emigrantes madeirenses. Se na Améria Latina o povo tem passado fome devido à ditadura de Nicolas Maduro , em Inglaterra a apreensão tem pr base as regras ainda indefinidas para os britânicos saírem da União Europeia. De um modo geral, todos aguardam para ver o que será decidido, mas cada um já faz contas à vida, medindo as consequências que poderão surgir.

 

Pedido de residência no RU
Para os milhares de emigrantes a residir no Reino Unido, o pedido de residência permanente é obrigatório para salvaguardar os direitos adquiridos em território britânico. Apesar de as informações disponíveis serem escassas, pelo facto de dependerem de acordos obtidos para a saída do Reino Unido, os emigrantes devem fazer o cartão de residência no Reino Unido há mais de cinco anos, juntando provas do trabalho e do pagamento de impostos.


Algumas preocupações têm vindo ao de cima, como se poderão continuar a enviar dinheiro para Portugal e quais as penalizações inerentes a esta transação, ou que tipo de reações terão os ingleses para com os emigrantes, questionando mesmo se correm o risco de serem obrigados a sair de Inglaterra, deixando para trás o que conseguiram fruto de uma vida emigrante.
Fátima Ramos, está em Oxford e já deixou o Café Português, um negócio de produtos nacionais e alguns regionais, por causa da dificuldade que antevê para fazer chegar a mercadoria a Inglaterra, alé da inflação dos preços praticados.
Ana Faria é outra madeirense que fez toda a sua vida em terras inglesas. Residente em Bristol há mais de 20 anos, onde constituiu família, está naturalmente apreensiva com o Brexit. Neste momento explora um negócio de comida rápida «Fish and Chips» e aguarda «com preocupação» para ver o que acontecerá depois de março.

Já começamos a sentir os efeitos do Brexit através do aumento de alguns impostos e sentimos a economia do pais a baixar. Assusta-me pensar que isto poso ficar como a Venezuela», revela ao «DIÁRIO», salientado que teoricamente, o governo britânico pretende garantir ps direitos dos Europeus que vivem no Reino Unido, mas na prática, não sabe como será.
«Só para perceber com as coisas estão, abriram um «site» experimental de pré-registo há uma semana, que mais parece uma grande confusão. Temos de digitalizar o passaporte através de uma aplicação que não reconhece a maior parte dos documentos para provarmos a nossa identidade. Portanto, mais vale aguardar por mais informações e perceber o que virá a seguir», explica a madeirenses que apesar de ter três filhos em idade escolar, uma na faculdade e dois n ensino obrigatório, não coloca de parte a hipótese de regressar a São Vicente, de onde e natural. Será sempre uma decisão «difícil», mas não a coloca de parte, por entender que a segurança e o bem-estar da família estão em primeiro lugar.

In «DN Madeira impresso»